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Entrevista com o fundador da Vetor – Conceitos & Narrativas
Repórter do Universo Vetor
Escritório de Produção – São Paulo
O nascimento de um estúdio narrativoNem todo projeto literário nasce como editora. Alguns nascem como um universo.
E em uma casa histórica no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, nasceu recentemente a Vetor – Conceitos & Narrativas, um projeto que pretende ir além da publicação tradicional de livros.
A inauguração da chamada Casa Vetor reuniu autores, leitores, convidados ligados ao universo literário e praticamente todo o elenco criativo que participa das primeiras obras do projeto. O encontro marcou o início oficial de um estúdio narrativo que pretende explorar histórias humanas profundas, personagens complexos e questões filosóficas que atravessam diferentes obras.
A proposta é construir aquilo que seu fundador define como um ecossistema narrativo, onde histórias, personagens, temas filosóficos e investigações humanas se entrelaçam em múltiplos livros e formatos.
Para compreender melhor esse projeto, conversamos com Jânsen Leiros Ferreira Jr., fundador e diretor criativo da Vetor.
Jânsen, como nasceu a ideia de criar a Vetor?
Jânsen Leiros Ferreira Jr.
A Vetor nasce de uma inquietação antiga.
Sempre gostei de histórias que não apenas entretêm, mas que também fazem perguntas profundas sobre a vida, a fé, a moral e a natureza humana.
Com o tempo percebi que essas histórias poderiam existir dentro de um universo mais amplo, onde personagens, temas e ideias dialogam entre si.
A Vetor surge exatamente disso: da tentativa de construir um espaço onde narrativa, reflexão e investigação humana caminhem juntas.
Helena Duarte
Você usa a expressão “ecossistema narrativo”. O que isso significa na prática?
Jânsen
Significa que as histórias não existem isoladamente.
Cada obra da Vetor é um ponto dentro de um universo maior. Personagens podem aparecer em momentos diferentes, temas se cruzam, perguntas levantadas em um livro podem encontrar ecos em outro.
É um modo de contar histórias que respeita a inteligência do leitor e convida a uma experiência mais profunda.
Helena Duarte
Os temas das obras parecem envolver filosofia, teologia, psicologia e comportamento humano. Isso é intencional?
Sempre me interessaram histórias que não tratam apenas de acontecimentos, mas de significados.
o que é justiça?o que é culpa?até onde vai a graça?como lidamos com abandono, perda ou redenção?
Essas questões aparecem nas histórias porque fazem parte da vida real.
Helena Duarte
A Vetor também apresenta uma estrutura que lembra a de um estúdio criativo. Há uma equipe envolvida nesse universo?
Jânsen
Sim. A ideia é que a Vetor funcione como um pequeno estúdio narrativo.
Temos roteiristas, consultores, direção narrativa, produção e um núcleo editorial. Claro que tudo isso faz parte de um universo criativo, mas ajuda a mostrar algo importante: histórias não nascem isoladamente.
Elas são fruto de reflexão, pesquisa e construção coletiva.
Helena Duarte
E por que escolher o Jardim Botânico para sediar a Casa Vetor?
Porque o Jardim Botânico tem algo que combina muito com a proposta da Vetor.
É um lugar onde natureza, história e cultura convivem de maneira muito harmônica. É um ambiente que naturalmente convida à reflexão.
A Casa Vetor nasce nesse espírito: um espaço de criação, leitura, debate e construção de histórias.
Enquanto conversávamos, percebi uma coisa curiosa. A Casa Vetor tem várias mesas de trabalho, salas de leitura e áreas de criação… mas nenhuma sala que pareça ser exatamente sua.
Não tem mesmo. E isso é completamente proposital.
Helena
Então você realmente não tem escritório aqui?
Jânsen
Se eu tivesse uma sala, correria o risco de me esconder nela — e a Vetor não foi pensada para funcionar assim.
A ideia é exatamente o contrário: eu prefiro circular pela casa.
Às vezes estou sentado com alguém da equipe revisando um texto. Em outros momentos acompanho uma discussão de roteiro, ajudo a definir algum critério narrativo ou simplesmente paro para ouvir o que cada um está desenvolvendo.
E tem também outro lugar onde passo bastante tempo…
Helena
Jânsen
Ali é onde muita coisa nasce.
Às vezes estou trabalhando com alguém. Outras vezes estou apenas observando o jardim, pensando em caminhos para as histórias.
Para mim, criação não acontece apenas diante de uma tela — ela acontece nesses intervalos de silêncio também.
Então, de certa forma, a Casa Vetor inteira é o seu escritório.
Jânsen
E, se a ideia da Vetor é construir narrativas vivas, nada faria sentido se eu ficasse trancado numa sala.
Helena Duarte
O que o público pode esperar da Vetor nos próximos meses?
Jânsen
Histórias que buscam provocar reflexão.
Algumas serão thrillers. Outras dramas humanos. Outras ainda investigações morais ou espirituais.
Mas todas terão em comum a tentativa de explorar perguntas importantes sobre o ser humano.
A Vetor ainda está no início da sua jornada, mas esperamos que esse universo cresça junto com seu público. Se ele cumprir o seu propósito, talvez ofereça mais que apenas histórias. Talvez perguntas, que acompanharão seus leitores por muito tempo.